Brasil, país lambe botas !

 

Ontem, quarta-feira, dia 5 de agosto, o COPOM - Comitê de Política Monetária do Banco Central, definiu a taxa básica de juros Selic, ao menos para os próximos 45 dias.   A taxa Selic vai passar para 14% ao ano, considerado o patamar de inflação, ligeiramente acima do teto da meta de 4,5%, é extremamente alto, a ponto de atrair investimento especulativo de todo o planeta.  


         Alguns fatores evoluíram no sentido facilitar o caminho do Banco Central para baixar os juros do Brasil, caso da inflação, que já veio bem mais fracanas leituras mais recentes das atividades econômicas do País.    A inflação medida com base nos dados consolidados mais recente do IBGE, aponta para 4,64%, ligeiramente acima do teto da meta de 4,50%, considerando o centro da meta de 3%.    São critérios técnicos próprios do COPOM e do BC.


          Ao mesmo tempo, o COPOM mencionou uma "moderação gradual da atividade econômica" e que a inflação subjacente desacelerou para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta, estabelecido pelo próprio COPOM.   Em todo mundo funciona assim como no País, quem estabelece a "política monetária" é o Banco Central de cada país, baseado em suas próprias referências das atividades econômicas.   No Brasil não é diferente.   O Banco Central é que "determina a política monetária", utilizando os seus próprios critérios, independente do Poder Executivo.   

 

             Esta independência relativa, que ao redor do mundo, assegura o poder de compra de cada moeda local.     A independência é relativa, porque, os Presidente do Banco Central e os próprios membros do COPOM, são indicados pelo Presidente da República, em algum momento.    Sendo que a renovação dos seus membros, normalmente, não coincide com o mandato do Presidente da República.     Nas maiores economias do mundo como Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Japão, na ordem de grandeza, o Banco Central funciona com relativa autonomia, até porque os seus membros são de escolha do Governantes de plantões com mandatos que não coincidem com o Governo da vez.    Tudo é um "jogo de cena", onde cada ator sabe de antemão, quais são as medidas que serão tomadas pelo Comitê de Política Monetária. 


            Mesmo com a proximidade das eleições presidenciais, o mercado financeiro e o próprio Banco Central, trabalham com dois cenários possíveis, a reeleição do Presidente Lula, com provável continuidade da atual "política fiscal e econômica", ou com a eleição do Flávio Bolsonaro, PL, cuja política econômica deverá seguir a mesma linha do economista Paulo Guedes, representada pela Daniela Marques, a seguidora fiel da "economia liberal", da já conhecida Escola de Chicago, que nada tem a ver com os fundamentos macroeconomia do Milton Friedmann.    


           Seja como for, o Banco Central do Brasil tem técnicos de altíssimo nível e tenho absoluta certeza de que não vão se deixar influenciar pelos "cantos e encantos" dos cisnes do Palácio da Alvorada, moradia dos Presidentes de plantões, tão espaçoso que o seu Presidente reclama da distância da sua mesa de despacho à mesa de cafezinho.


            Infelizmente, nos últimos tempos, o setor produtivo, o conhecido "Faria Lima", tem tido pouca oportunidade de construir ou ajudar a construir, a tão carente e necessária "política econômica" que tire o Brasil desse atoleiro de "mediocridade" que se meteu, num país com potencial para estar no centro das 7 maiores economias do mundo, o G7.   Infelizmente, o Brasil continua sendo um país "lambe botas" das maiores economias do mundo!


          Ossami Sakamori


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