O que é política monetária



Vocês devem estar imaginando, baseado em dados macroeconômicos, que tenho afirmado, seguidamente, que o Brasil está com graves problemas fiscais e econômicos.  Continuo a afirmar que:  "O País enfrenta problemas macroeconômicos sérios."    Nas matérias precedentes, apresentei noção do que seja a "política fiscal", a "política econômica" e a "política monetária", as duas primeiras dependem das decisões do Presidente da República, de plantão e a terceira, a "política monetária" depende do Banco Central, especificamente do COPOM, o Conselho de Política Monetária, cujos membros são indicados pelo Presidente da República com mandatos fixos.    Não se mexe nos membros do COPOM, a não ser em circunstâncias extraordinárias.     É assim que funciona no mundo todo e é também por esta circunstância peculiar que ganha credibilidade nas suas decisões.


            O COPOM estabelece a taxa de juros Selic, conforme a situação monetária do País, para garantir a estabilidade da moeda, o Real. Existem outros mecanismos como "depósito compulsório" das instituições financeiras, que ajuda "regular" o fluxo financeiro da moeda do País, no nosso caso, o Real.   Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, na União Europeia o Banco Central Europeu e no Japão o Banco Central japonês, fazem esse papel.     Todos eles têm em comum a meta de assegurar o "poder de compra" da moeda local ou seja, manter a inflação sob controle.


           No Brasil, o Banco Central, via COPOM, trabalha com meta de inflação de 3%, com variação para mais ou para menos em 1,5%.   Assim, em tese, os tetos da inflação permitidos é de 4,5% para cima ou 1,5% para baixo.   A atual taxa Selic é de 14,25%, uma taxa "absurdamente" alta, diante do objetivo de teto de 4,5%.   A inflação corrente oficial (IPCA) continua acima da margem do teto, em 4,64%, de acordo com o IBGE.    Como a inflação oficial, está apenas, "ligeiramente" acima ou em torno da meta, poderia o COMPOM baixar a taxa Selic ao nível ligeiramente abaixo, por exemplo dos 14%, com muita tranquilidade.     O que faz, o COPOM ou o Banco Central andar com os "dois pés atrás" são os sucessivos "déficits primários" ou o "dinheiro que falta" para pagar as despesas primárias do Governo federal, que não inclui o pagamento dos juros da dívida pública.   Como Vocês sabem, a dívida pública está ao entorno de R$ 10,6 trilhões, segundo o Banco Central, número próximo do Produto Interno do País.   É um número, que no extenso é deveras inimagináveis:  Lá vai o número da Dívida Pública federal, em algarismos:   R$ 10.600.000.000.000,00, que a cada minuto aumenta em cada minuto aumenta ao entorno de R$ 1 bilhão.  


             Esta falta de "sintonia" entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central é que garantia do "poder de compra" da moeda local, no caso o Real, acontece aos olhos vistos.   A "briga surda" acontece em qualquer país do mundo, porém, é "exacerbado" no Brasil.   Lá nos Estados Unidos é o Tesouro americano x FED, este último o Federal Reserve, o Banco Central americano, que convivem em certa harmonia.     Atualmente, a taxa básica de juros americanos está entre 4% a 4,25%, para inflação corrente nos mesmos níveis.   A taxa básica de juros do Banco Central japonês está em 0,5% ao ano, para títulos de 20 anos, só para terem como referência.    


                A briga entre o Tesouro Nacional e o Banco Central é "permanente", o Governo federal gastando acima da sua capacidade financeira, gerando "déficit primário" e o Banco Central através do COPOM, tenta "segurar" a inflação, dentro das metas pré-estabelecidas.   Como pode ver no preâmbulo, a inflação está ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%, sendo o centro da meta de 3%. 


            O Poder Executivo reclama da taxa básica de juros do Banco Central, 14,25%, porém nada faz para eliminar o "déficit primário", que são os gastos sem ainda considerar os juros da dívida pública, que seriam "condições sine qua non" para tanto.    Na outra ponta, está o Banco Central com a responsabilidade de manter a inflação próximo da meta de 3%,  com margem de variação entre 1,5% a 4,5%.    Os números tem demonstrado os "desacertos" da administração pública federal.


            O principal efeito é o tamanho da dívida pública, do Tesouro Nacional, que hoje está cravado em R$ 10,4 trilhões, número próximo do PIB do País.    Mostrar ao Presidente da República, a um sabido "analfabeto funcional",  é como dirigir palavra a um "surdo e mouco", embebedado com a popularidade com programaz de auxílios à população de "baixa renda", donde vem os "votos"   para manter-se no Poder.    As grandes empresas da Faria Lima sabem que é assim que funciona, mas, "não tem colhões" para mostrar os "rumos do desenvolvimento sustentável para o País".     A mim, analista macroeconômico dos fins de semana, cabe mostrar a realidade do País, atualmente, nas mãos do Presidente populista com o fiel "séquito de seguidores" beneficiados com o "dinheiro público", o meu, o seu e todos 224 milhões de pessoas.   Cadê os empresários da Faria Lima ?   Estão a acovardar-se, embebedados em benefícios fiscais e creditícios.    Bons tempos foram aqueles dos bons tempos do Antônio Ermínio de Moraes, donos das empresas Votorantim ou do ícone dos empresários bem sucedidos, como Benjamin Steinbruch, patriarca do CSN.  


               Ossami Sakamori                    

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