A dívida do Governo federal marca R$ 10,6 trilhões

 


Na matéria precedente, a do dia 24 de julho, tratei do assunto pertinente a macroeconomia que rege o destino do País, sobre a "política fiscal" e "política econômica", que são os principais pilares da economia de cada País, em especial do Brasil.    Vocês devem ter percebido que eu não tratei da "política monetária" do Brasil e do mundo global e dos Estados Unidos, de longe, a maior economia do planeta.


           Política monetária tem como objetivo principal, manter o "poder de compra" da moeda local de cada País.  No caso brasileiro, o Real (R$) e nos Estados Unidos, seria política monetária daquele país com a sua moeda o (US$) dólar americano.  Na União Europeia, a política monetária é regida pelo Banco Central da União Europeia, medido pelo poder de compra do $ Euro e na China do $ Yuan, que representa fração da moeda local o Renmenbi.   O poder de compra de cada moeda depende da "política monetária" de cada país e está atrelado diretamente à "política fiscal", dependendo se ela é "deficitária" ou "superavitária".    Quando a política monetária do Governo federal é "deficitária", o poder de compra da moeda local é desvalorizada pela "inflação" corrente.  

               

         Desde a sua criação em julho de 1994, o Real perdeu cerca de 87% do seu poder de compra, enquanto a dólar americano, US$, no mesmo período perdeu cerca de 55% do seu poder de compra.   Ainda, assim, o dólar americano, US$, vem sendo referência mundial para transações financeiras e comerciais, com raras e poucas exceções, desde a Conferência de Bretton Woods em julho de 1944.


           O Banco Central brasileiro, por outro lado, estabelece, através do COPOM ou o Comitê de Política Monetária, a taxa de juros do Tesouro Nacional, a já conhecida taxa Selic, hoje estabelecida em 14,25% ao ano, para uma inflação de 4,64% nos últimos 12 meses.  Em tese, o ganho teórico das aplicações em títulos do Governo, está ao entorno de 10% ao ano.  Nunca, o spread esteve tão alto como agora, considerando os das últimas décadas.  


           Na minha opinião, contrariando uma grande parte dos analistas econômicos do País, a política monetária do Banco Central está totalmente equivocada, muito distante da realidade e da necessidade de crescimento do País.    Não se vê política monetária tão distante da realidade brasileira, em que o setor produtivo precisa de "créditos" com taxa de juros compatíveis com as suas atividades, com exceção dos juros do crédito agrícola, que já conta com o subsídio do Governo federal, desde os tempos imemoriais.    O subsídio ao setor agrícola no Brasil, não é exceção.   É a prática comum nos países desenvolvidos, para garantir alimentos para sua população.    No Brasil, a produção agrícola, baseada em juros subsidiados, é uma necessidade fundamental para manter "balança comercial" equilibrada.   


               No entanto, contrariando os formuladores da política econômica e monetária do Governo federal, considero excessivo a taxa de juros Selic praticado pelo Banco Central, diante do quadro de estagnação da economia.   A política monetária do Banco Central que tem como meta de inflação de 3% ao ano, com viés de 1,5% para cima ou para baixo, está perfeitamente atendido com taxa de inflação corrente, o IPCA acumulada nos últimos 12 meses que foi de 4,64%, referência do fechamento do mês de junho.   


            Na maior economia do mundo, os Estados Unidos, o Federal Reserve, o Banco Central deles, pratica taxa de juros, conhecido  está definida na faixa de 3,5% a 3,75% para inflação corrente do mês de junho que foi cravado em 3,5%.   O Banco Central japonês, estabeleceu a sua taxa básica de juros ao nível de 1% ao ano para títulos de 20 anos, onde a inflação anual está marcando 1,4% ao ano, a maior das últimas décadas.   


          Nos países desenvolvidos, a taxa de juros dos títulos do Governo, vem acompanhando a inflação dos últimos períodos,  com sentido de "corrigir" ou "ajustar" o poder de compra das respectivas moedas.  No Brasil, a aplicação em títulos do Governo, rendendo à base da taxa Selic, vem sendo alternativas para complementação ou alternativa de renda dos seus ativos mobiliários, com alta liquidez.    Criamos, num país pobre como o Brasil, uma "casta" de gente que "vive" de rendimento dos títulos do Governo federal.    O preço da situação que vivemos, quem paga são os trabalhadores, que vivem dos salários negociados com pequeno ganho sobre a inflação.  


           Esta situação é o inverso do que aconteceu nos Estados Unidos, no início do século, que provocou a grande crise dos anos 2007 e 2008, foi quando houve um grave colapso financeiro global pela inadimplência em massa de empréstimos imobiliários de alto risco nos Estados Unidos com a falência dos bancos como o Lehman Brothers e em consequência a escassez de crédito  no mercado global.    A situação que ocorre no Brasil, nos últimos anos é o "inverso", onde até as pessoas comuns da população estão aplicando em títulos do Tesouro Nacional, rendendo a "estupenda" taxa de juros Selic + premio, nas suas reservas.     Enquanto o Governo federal vem financiando os seus gastos públicos com o dinheiro do Tesouro Nacional, com juros reais os mais altos das últimas décadas, que coincide com as administrações do PT, a dívida bruta do Governo federal, o DBGG, já superou R$ 10,6 trilhões, cerca de 81,1% do PIB e segundo o FMI, a estimativa que a dívida pública supere 97,8% do PIB no final deste ano.


             Apesar da carga tributária ser as mais altas dos últimos anos e o endividamento público federal às alturas, conforme mostrado acima, o Governo do Presidente Lula vem apresentando sucessivos "déficit primário" ou o "dinheiro que falta" para cobrir as despesas correntes do Governo federal, provocando o famigerado "déficit primário".     Qualquer candidato que se eleja nas próximas eleições, vai receber de "presente" do atual Governo, dívida pública "impagável" ou uma "herança maldita" das administrações públicas anteriores.     Pensem bem, antes de colocar cédula de eleição para Presidente da República, nas próximas eleições!   


             Ossami Sakamori                

Comentários

  1. Parabéns por lembrar da política monetária o que o Nosso atual presidente talvez nem saiba que exista

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